Saturday, January 9, 2016

TORNAR-SE PROFISSIONAL REQUER MAIOR CONFIANÇA: Parte 1

William é um jogador de voleibol que teve sucesso como jogador universitário e agora está iniciando um novo capítulo como jogador profissional em um clube europeu. Ele leu meu a postagem do meu blog sobre Simon, um jogador de basquete que também estava iniciando sua carreira como profissional. Com sua carreira prestes a iniciar, William entrou em contato comigo.

Isso é o que ele tinha a dizer:

Acho que estou em uma situação similar ao Simon. *** Desde que cheguei aqui eu tenho cada vez menos confiança no meu ataque, e é algo que venho tendo dificuldades a cada treino. Por exemplo, toda vez que recebo um levantamento tenho não tenho certeza se vou conseguir colocar a bola no chão do outro lado da rede. Eu me encontro cometendo mais erros, atacando a bola na rade ou metros pra fora da quadra.

É um sentimento muito estranho que tenho logo que salto para atacar a bola. Milhões de coisas passam pela minha cabeça de uma vez só, e quanto mais ataques erro durante um treino ou uma partida, menos confiante vou ficando, até me enterrar em um buraco tão fundo que cometo erro atrás de erro. Já li muitos artigos sobre ser mentalmente forte, mas sempre sinto que são inúteis nos momentos antes de fazer o ataque.

Você disse que milhões de coisas passam pela sua cabeça. Pode descrever uma ou duas dessas coisas?

Eu digo a mim mesmo para fazer contato com a bola lá no alto, atacar pro fundo da quadra, olhar aonde está o bloqueio, tentar achar buracos na quadra e ataca-los, só colocar a bola em jogo, ser agressivo e atacar com tudo, não cometer erros.

Esses são boas auto-instruções. Mas para você isso se torna um problema.

Existem muitas coisas importantes que um atacante precisa praticar para ser efetivo. Entretanto, todas essas coisas parecem ser uma distração até esse ponto.

Quando olho pra trás e lembro dos meus primeiros dias como jogador universitário, mas não lembro que pensava nessas coisas. Eu apenas jogava e tinha sucesso, agora só me preocupo com esses fatores. Acho que estou com medo de falhar e ser substituído do jogo. Eu digo a mim mesmo e aos outros que não estou preocupado, mas talvez agora esse seja o caso.

Que coisas são diferentes agora que podem estar causando esta situação?

Agora que estou jogando em um nível mais alto eu me ponho mais pressão. E posso estar tentando ganhar a aprovação dos meus novos companheiros de time e treinadores por jogar bem na minha posição.

Você não se colocava pressão quando jogava voleibol universitário?

Esse é o negócio. Eu com certeza colocava. Na verdade eu deveria colocar menos pressão agora. Na universidade eu tinha meus melhores amigos, minha namorada e minha família assistindo meus jogos. Agora que estou na europa nenhum deles está aqui e nem sabem como estou além do que conto a eles. Talvez eu me divertia mais antigamente e não me preocupava quando errava. Ou talvez eu não me sentia tão julgado.

Diferentemente do seu time universitário, seus novos companheiros de time não são caras que você conhece bem, e isso pode ser levado em conta como parte dessa pressão. Talvez você sinta uma necessidade maior da aprovação dos novos companheiros se comparado aos seus antigos companheiros de voleibol universitário, com os quais já tinhas formado um relacionamento forte.

Sim, tenho certeza de que isso é grande parte do que está acontecendo.

Me conte, o que te lhe mantinha calmo quando você cometia erros na liga universitária?

Tinha treinadores que me apoiavam e não se preocupavam tanto com meus erros, desde que esses fossem erros por ser agressivo demaiseles sentiam que sabíamos como os corrigir.  Alguns dos meus companheiros era também meus melhores amigos. Eu sabia que independentemente dos tipos de erros que eu cometia eles estariam lá para me apoiar.

O que sobressai dos seus comentários é um forte medo de de cometer erros. 

Sim, e com isso tão proeminente em minha mente, meu foco no momento, e confiança em mim mesmo, são bem limitados. Penso que estou realmente com medo de perder minha posição de titular devido aos erros que cometo. Acho que é o centro disso tudo.

Exatamente. Mais cedo você disse que quando se sentiu inundado com pensamentos durante partidas você dizia a si mesmo para fazer contato com a bola o mais alto possível, atacar para o fundo, olhar aonde o bloqueio está, encontrar buracos, manter a bola em jogo, ser agressivo, atacar com tudo, não cometer erros.
É esta última coisa - NÃO COMETER ERROS - que entra no caminho das outras boas instruções que você se deu, não?   

Sim. Acho que isso acaba tapando todas as outras coisas boas.

Então vamos manter em mente que como mencionou, na universidade você não se preocupava tanto após cometer um erro pois o apoio de seus colegas de equipe, e treinadores, faziam com que tudo fosse divertido. Eu acho que isso é grande parte do que fazem as coisas serem diferente para você agora. Tirando montanhas russas, é literalmente impossível ter a experiência de MEDO e DIVERSÃO ao mesmo tempo. Um sempre anula o outro.

Pois é, realmente é verdade.

Quando chega no ponto desse embate entre MEDO e DIVERSÃO, me diga como completarias a seguinte frase:

"Eu posso até cometer um erro (como atacar a bola na rede ou para fora), mas _________________."

"mas eu estou aqui para me divertir" ?

Eu percebi que colocou um ponto de interrogação no final, que me leva a perguntar, quando você se escuta dizer "Eu posso até cometer um erro, mas estou aqui para me divertir", quanta convicção lhe dá ao escutar, e sentir, suas próprias palavras (em um percentual de que vai de 0% até 100% de convicção)? Quanto mais convicção, maior é o impacto que essas palavras terão em você.

Eu acho que 85%. Eu quero me divertir, mas também quero ter uma carreira de sucesso.


Eu lhe pergunto isso pois quanto maior for a sua convicção, maior será a probabilidade de você se ajudar a transformar pensamentos de medo em pensamentos focados no momento. 



Parte 2 continua no próximo post.
http://drmitchpsicologiadoesporte.blogspot.com/2016/01/tornar-se-profissional-requer-maior.html

*** "WHAT ARE YOU LOOKING AT?" www.mitchsmithmentalcoach.blogspot.com/2015/12/what-are-you-looking-at.html)


Traduzido por Otávio Souza (de Florianopols, jogou vôlei na Brigham Young University (EUA), onde ele é agora um comentarista esportivo fazendo a cobertura de esportes da BYU idioma Português.)

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